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Ensaios Improvisados IV
31Dez2008 00:00:00
Publicado por: lecysousa
By Lecy Pereira Sousa


Se formos avaliar detidamente a situação política e geográfica do mundo chegaremos à conclusão que é mesmo complicado compreendermos a nossa própria condição social. Claro, porque de alguma forma estamos condicionados ao meio em que nascemos, à família a qual pertencemos, à religião a qual somos impostos num primeiro momento. Posteriormente, e isso dependerá exclusivamente da forma como reagiremos a toda essa pressão, poderemos, usando um chavão pouco cortês, picar o pé em tudo e ressignificar (palavra polêmica ) nossas vidas arcando ou não com as consequências de nossas atitudes.

Lançando uma luneta (luneta é pouco, melhor lançar um telescópio) sobre a situação de israelenses e palestinos, melhor seria deixar qualquer explicação convincente para os historiadores ou para os profetas de plantão. Sim, pois se a situação daqueles povos vier a ser resolvida por uma guerra mundial (guerras costumam ser deflagradas por qualquer problema caseiro), os profetas e videntes se regozijarão por verem solidificadas suas expectativas, como quem diz: nós já sabíamos. Bem sabemos que problemas locais são melhor compreendidos por povos locais. O resto não passa de especulação que chega às raias da metafísica.

Num mundo hiper capitalista e hipnótico como o que nós, os ocidentais, vivemos, difícil é entender a ortodoxia de povos que dão valor nenhum à existência física seja de jovens ou adultos e que seriam capazes de ver seus próprios filhos explodirem em nome de uma causa que, segundo eles, é avalizada por deus. Naturalmente, esse não é o Deus dos cristãos. Cristo esse que, como registra a literatura, pregou o perdão diante da humilhação (ele sabia, por antecipação, qual seria sua recompensa). Por sabe-se lá que ironia histórica, o Yeshua "decidiu" nascer naquele pedaço de chão que mais parece uma concubina desejada por varões suicidas sempre convictos da unção divina. Espero não ser taxado de inimigo do Islã ou motivo de escândalo para os cristãos.

Em enfrentamentos sanguinários de tal ordem, há que se ter alguma pena das crianças indefesas diante da própria fragilidade e da falta de diplomacia de seus pais que os impedem de verem o mundo de uma outra forma (quem pode garantir que uma criança islâmica não sentirá vontade de ser cristã e vice-versa?), das mulheres grávidas e dos idosos incapazes. Esses deveriam ser colocados distantes daqueles que amam imolarem e serem imolados. Há registros de que os mongóis, ao decidirem exterminar um povo, acabavam também com cães, gatos, passarinhos, grilos, sapos e qualquer ser vivente vinculado àquele povo. Mas após a ONU, isso é considerado uma barbárie inadmissível.

Gostando ou não a ONU, em termos de guerra, os países considerados poderosos em armamentos atômicos, industrialismo e comércio comportam-se como bem entendem. Nessas horas, os anos passados em estudo para formar um diplomata são considerados absolutamente inúteis. O imperador romano Calígula nomeou seu cavalo Senador. Em época de conflitos religiosos e políticos qualquer cavalo pode ser diplomata. Todas as normas são abolidas, todos acordos de cidadãos são jogados na descarga. Passa a valer o olho por olho, dente por dente bem ao estilo dos líderes religiosos do Antigo Testamento que sempre se sentiam ungidos por Deus para decretarem qualquer guerra. Nunca se ouviu algum povo falar que estava ungido por satanás para matar inocentes pelo fio da espada. Isso revela como a figura é desprestigiada nos anais da História. A considerar essa perspectiva, então deus é o grande responsável por todas as guerras e os vencedores sempre se consideram abençoados por ele.

Resta saber que deus é esse. Naturalmente, os líderes de religiões que se odeiam têm a resposta na ponta da língua.


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Ensaios Improvisados IV
31Dez2008 00:00:00
Publicado por: lecysousa
By Lecy Pereira Sousa


Se formos avaliar detidamente a situação política e geográfica do mundo chegaremos à conclusão que é mesmo complicado compreendermos a nossa própria condição social. Claro, porque de alguma forma estamos condicionados ao meio em que nascemos, à família a qual pertencemos, à religião a qual somos impostos num primeiro momento. Posteriormente, e isso dependerá exclusivamente da forma como reagiremos a toda essa pressão, poderemos, usando um chavão pouco cortês, picar o pé em tudo e ressignificar (palavra polêmica ) nossas vidas arcando ou não com as consequências de nossas atitudes.

Lançando uma luneta (luneta é pouco, melhor lançar um telescópio) sobre a situação de israelenses e palestinos, melhor seria deixar qualquer explicação convincente para os historiadores ou para os profetas de plantão. Sim, pois se a situação daqueles povos vier a ser resolvida por uma guerra mundial (guerras costumam ser deflagradas por qualquer problema caseiro), os profetas e videntes se regozijarão por verem solidificadas suas expectativas, como quem diz: nós já sabíamos. Bem sabemos que problemas locais são melhor compreendidos por povos locais. O resto não passa de especulação que chega às raias da metafísica.

Num mundo hiper capitalista e hipnótico como o que nós, os ocidentais, vivemos, difícil é entender a ortodoxia de povos que dão valor nenhum à existência física seja de jovens ou adultos e que seriam capazes de ver seus próprios filhos explodirem em nome de uma causa que, segundo eles, é avalizada por deus. Naturalmente, esse não é o Deus dos cristãos. Cristo esse que, como registra a literatura, pregou o perdão diante da humilhação (ele sabia, por antecipação, qual seria sua recompensa). Por sabe-se lá que ironia histórica, o Yeshua "decidiu" nascer naquele pedaço de chão que mais parece uma concubina desejada por varões suicidas sempre convictos da unção divina. Espero não ser taxado de inimigo do Islã ou motivo de escândalo para os cristãos.

Em enfrentamentos sanguinários de tal ordem, há que se ter alguma pena das crianças indefesas diante da própria fragilidade e da falta de diplomacia de seus pais que os impedem de verem o mundo de uma outra forma (quem pode garantir que uma criança islâmica não sentirá vontade de ser cristã e vice-versa?), das mulheres grávidas e dos idosos incapazes. Esses deveriam ser colocados distantes daqueles que amam imolarem e serem imolados. Há registros de que os mongóis, ao decidirem exterminar um povo, acabavam também com cães, gatos, passarinhos, grilos, sapos e qualquer ser vivente vinculado àquele povo. Mas após a ONU, isso é considerado uma barbárie inadmissível.

Gostando ou não a ONU, em termos de guerra, os países considerados poderosos em armamentos atômicos, industrialismo e comércio comportam-se como bem entendem. Nessas horas, os anos passados em estudo para formar um diplomata são considerados absolutamente inúteis. O imperador romano Calígula nomeou seu cavalo Senador. Em época de conflitos religiosos e políticos qualquer cavalo pode ser diplomata. Todas as normas são abolidas, todos acordos de cidadãos são jogados na descarga. Passa a valer o olho por olho, dente por dente bem ao estilo dos líderes religiosos do Antigo Testamento que sempre se sentiam ungidos por Deus para decretarem qualquer guerra. Nunca se ouviu algum povo falar que estava ungido por satanás para matar inocentes pelo fio da espada. Isso revela como a figura é desprestigiada nos anais da História. A considerar essa perspectiva, então deus é o grande responsável por todas as guerras e os vencedores sempre se consideram abençoados por ele.

Resta saber que deus é esse. Naturalmente, os líderes de religiões que se odeiam têm a resposta na ponta da língua.


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Coisa de Cinema
30Dez2008 00:00:00
Publicado por: lecysousa
By Lecy Pereira Sousa
 

E chegou o dia em que, na incansável busca pelo realismo mágico, o cinema incorporou os cheiros às cenas dos filmes.
 
E todos estávamos numa enorme sala de projeção . Um filme de guerra. Conflito religioso, para variar. Homens-bomba se despedaçavam ante nossos olhos. Cheiro de pólvora umedecida. Aplausos. Passaram para a artilharia pesada. Metralhadoras que nunca descansavam. Homens soltavam seus últimos gritos, abriam os braços e eram arremessados ao chão pela força dos balaços. Cheiro de sangue e fumaça. Aplausos. DIAS DEPOIS...(mostrou o letreiro na tela ) Os corpos, incontáveis, permaneciam insepultos. A decomposição fazia sua festa na carne inútil e os corvos reinavam imbatíveis. O mau cheiro ganhou tamanha proporção que nós fomos obrigados a sair da sala de projeção às pressas.
  Ninguém aplaudiu aquele fim encarniçado.


Yoomp


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Coisa de Cinema
30Dez2008 00:00:00
Publicado por: lecysousa
By Lecy Pereira Sousa
 

E chegou o dia em que, na incansável busca pelo realismo mágico, o cinema incorporou os cheiros às cenas dos filmes.
 
E todos estávamos numa enorme sala de projeção . Um filme de guerra. Conflito religioso, para variar. Homens-bomba se despedaçavam ante nossos olhos. Cheiro de pólvora umedecida. Aplausos. Passaram para a artilharia pesada. Metralhadoras que nunca descansavam. Homens soltavam seus últimos gritos, abriam os braços e eram arremessados ao chão pela força dos balaços. Cheiro de sangue e fumaça. Aplausos. DIAS DEPOIS...(mostrou o letreiro na tela ) Os corpos, incontáveis, permaneciam insepultos. A decomposição fazia sua festa na carne inútil e os corvos reinavam imbatíveis. O mau cheiro ganhou tamanha proporção que nós fomos obrigados a sair da sala de projeção às pressas.
  Ninguém aplaudiu aquele fim encarniçado.


Yoomp


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Primeirapessoaplural na livraria Martins Fontes Paulista
24Dez2008 00:00:00
Publicado por: lecysousa

Primeirapessoaplural na Martins Fontes

O livro de poemas Primeirapessoaplural do poeta de Contagem Lecy Pereira Sousa está no catálogo de vendas da livraria Martins Fontes Paulista. A Martins Fontes é uma das maiores livrarias do país e inova disponiblizando publicações de novos selos em seu catálogo eletrônico.

O livro foi publicado pelo selo Àrvore dos Poemas criado por Diovvani Mendonça, o poeta idealizador do Projeto Pão e Poesia. Diga-se de passagem, o Pão e Poesia foi aprovado por Lei de Incentivo Estadual para o ano 2009. Para conferir a divulgação da Secretaria Estadual da Cultura de Minas Gerais basta clicar aqui

Os internautas que quiserem deixar um comentário simples, enviar a dica para amigos ou mesmo adquirir o livro através da Martins Fontes Paulista podem acessar o link direto do livro clicando aqui

Pão e poesia para todos!





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